A especificidade das funções, o elevado grau de responsabilidade e autonomia, as exigências de qualificação técnica, bem assim o ambiente quase sempre adverso em que realizam as suas tarefas de inspecção, fiscalização e controlo na administração pública e ainda os poderes de autoridade pública que aos inspectores são reconhecidos pela lei justificam plenamente a instituição de uma carreira de regime legal especial para o pessoal do corpo inspectivo dos Serviços de Inspecção, Fiscalização e Controlo da Administração do Estado;
Nestes termos, ao abrigo das disposições combinadas da alínea d) do artigo 112.º e do artigo 113.º, ambos da Lei Constitucional, o Governo decreta o seguinte:
CAPÍTULO I
Objecto e Âmbito de Aplicação
Artigo 1.º
Objecto
O presente diploma estabelece o regime jurídico da carreira de inspecção dos Serviços de Inspecção, Fiscalização e Controlo da Administração do Estado.
Artigo 2.º
Âmbito de aplicação
As disposições do presente diploma são aplicáveis ao pessoal técnico dos Serviços de Inspecção, Fiscalização e Controlo da Administração do Estado.
CAPÍTULO II
Regime e Estrutura da Carreira
Artigo 3.º
Regime de carreira
O pessoal referido no artigo anterior integra-se numa carreira própria de regime especial nos termos dos n.º 1 e 2 do artigo 6.º do Decreto n.º 24/91, de 29 de Junho.
Artigo 4.º
Estrutura da carreira inspectiva
- 1. A carreira técnica de inspecção, fiscalização e controlo compreende os seguintes grupos de pessoal:
- a) técnico superior;
- b) técnico;
- c) técnico médio.
- 2. O grupo técnico superior desenvolve-se de forma descendente pelas seguintes categorias:
- a) inspector assessor principal;
- b) inspector primeiro assessor;
- c) inspector assessor;
- d) inspector superior principal;
- e) inspector superior de 1.ª classe;
- f) inspector superior de 2.ª classe.
- 3. O grupo técnico desenvolve-se de forma descendente pelas seguintes categorias:
- a) inspector especialista principal;
- b) inspector especialista de 1.ª classe;
- c) inspector especialista de 2.ª classe;
- d) inspector de 1.ª classe;
- e) inspector de 2.ª classe;
- f) inspector de 3.ª classe.
- 4. O grupo técnico médio desenvolve-se de forma descendente pelas seguintes categorias:
- a) sub-inspector principal de 1.ª classe;
- b) sub-inspector principal de 2.ª classe;
- c) sub-inspector principal de 3.ª classe;
- d) sub-inspector de 1.ª classe;
- e) sub-inspector de 2.ª classe;
- f) sub-inspector de 3.ª classe.
Artigo 5.º
Conteúdo funcional dos grupos da carreira inspectiva
- 1. Ao pessoal do grupo técnico médio, incumbe:
- a) executar as acções de inspecção, visitando organismos, serviços e empresas sujeitos à acção inspectiva, tendo por fim averiguar o cumprimento da lei e instruções de serviço de carácter normativo e determinar se foram salvaguardados os interesses do Estado a defender pelas entidades inspeccionadas;
- b) actuar na área territorial que lhe for destinada junto dos serviços, organismos e empresas sujeitos à acção inspectiva;
- c) exercer os poderes de autoridade e cumprir os deveres gerais e especiais previstos na lei;
- d) desempenhar outras tarefas que por lei, regulamento ou determinação superior lhe sejam cometidas.
- 2. Ao pessoal do grupo técnico, incumbe:
- a) desempenhar o núcleo funcional descrito no n.° 1 deste artigo;
- b) assegurar a coordenação de grupos de trabalho, bem como realizar outras tarefas especializadas, relacionadas com a área da sua formação académica e suscitadas pela acção inspectiva.
- 3. Ao pessoal do grupo técnico superior incumbe, genericamente:
- a) desempenhar as funções descritas nos n.º 1 e 2 deste artigo;
- b) realizar acções de investigação, estudo, concepção e adaptação de métodos e processos técnico-inspectivos que exigem um elevado grau de qualificação, responsabilidade, iniciativa e autonomia, assim como um domínio total da área de especialização e uma visão global dos sistemas de inspecção da actividade administrativa do Estado, tendo em vista a formação de quadros e a preparação da tomada de decisões.
CAPÍTULO III
Ingresso e Acesso na Carreira
Artigo 6.º
Normas gerais de Ingresso e acesso na carreira
- 1. O recrutamento para os grupos da carreira inspectiva far-se-á pela categoria mais baixa correspondente e obedecerá à forma de concurso público.
- 2. Constituem requisitos gerais para o ingresso nos grupos da carreira inspectiva:
- a) possuir o nível habilitacional adequado;
- b) ter sido aprovado em concurso de pré-selecção;
- c) obter aprovação em estágio específico.
- 3. Para efeitos do presente regime, considera-se nível habilitacional adequado:
- a) para o grupo técnico superior, a licenciatura;
- b) para o grupo técnico, o bacharelato ou habilitação equivalente;
- c) para o grupo técnico médio, o curso médio, pré-universitário ou equivalente.
- 4. Os concursos de pré-selecção serão constituídos por:
- a) prova escrita de conhecimentos;
- b) entrevista profissional de selecção;
- c) avaliação curricular.
- 5. Os estágios serão objecto de regulamento específico.
- 6. Nos avisos de abertura dos concursos para ingresso, poderão ser estabelecidas condições particulares de idade, área académica das habilitações literárias ou outros requisitos especiais, relacionados com as necessidades e especificidades da função inspectiva.
Artigo 7.º
Regime geral de acesso na carreira inspectiva
- 1. O recrutamento para as categorias de acesso da carreira inspectiva obedecerá à forma de concurso público documental, o qual integrará a valorização dos seguintes elementos:
- a) classificação de serviço;
- b) tempo de serviço na categoria;
- c) formação geral específica;
- d) avaliação curricular;
- e) entrevista profissional de selecção.
- 2. O recrutamento para as categorias de acesso da carreira inspectiva obedecerá às seguintes regras:
- a) inspector assessor principal - de entre os inspectores primeiros assessores com, pelo menos, três anos efectivos na categoria e a classificação de muito bom ou cinco anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de bom;
- b) inspector primeiro assessor - de entre os inspectores assessores com, pelo menos, três anos efectivos na categoria e a classificação de muito bom ou cinco anos de efectivo serviço na categoria com e a classificação de bom;
- c) inspector assessor - de entre os inspectores superiores principais com, pelo menos, três anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de muito bom ou cinco anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de bom;
- d) inspector superior principal - de entre os inspectores superiores de 1.ª classe com, pelo menos, três anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de muito bom ou cinco anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de bom;
- e) inspector superior de 1.ª classe - de entre os Inspectores superiores de 2.ª classe com, pelo menos, três anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de muito bom ou cinco anos de efectivo serviço na categoria a classificação de bom;
- f) inspector especialista principal - de entre os inspectores especialistas de 1.ª classe com, pelo menos, três anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de muito bom ou cinco anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de bom;
- g) inspector especialista de 1.ª classe - de entre os inspectores especialistas de 2.ª classe com, pelo menos, três anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de muito bom ou cinco anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de bom;
- h) inspector especialista de 2.ª classe - de entre os inspectores de 1.ª classe com, pelo menos, três anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de muito bom ou cinco anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de bom;
- l) inspector de 1.ª classe - de entre os inspectores de 2.ª classe com, pelo menos, três anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de muito bom ou cinco anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de bom;
- j) inspector de 2ª classe - de entre os inspectores de 3.ª classe com, pelo menos, três anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de muito bom ou cinco anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de bom;
- k) sub-inspector principal de 1.ª classe - de entre os sub-inspectores principais de 2.ª classe com, pelo menos, três anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de muito bom ou cinco anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de bom;
- l) sub-inspector principal de 2.ª classe - de entre os sub-inspectores principais de 3.ª classe com, pelo menos, três anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de muito bom ou cinco anos de serviço efectivo na categoria e a classificação de bom;
- m) sub-inspector principal de 3.ª classe - de entre os sub-inspectores de 1.ª classe com, pelo menos, três anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de muito bom ou cinco anos de serviço efectivo na categoria e a classificação de bom;
- n) sub-inspector de 1.ª classe - de entre os sub-inspectores de 2.ª classe com, pelo menos, três anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de muito bom ou cinco anos de serviço efectivo na categoria e a classificação de bom;
- o) sub-inspector de 2.ª classe - de entre os sub-inspectores de 3.ª classe com, pelo menos, três anos de efectivo serviço na categoria e a classificação de muito bom ou cinco anos de serviço efectivo na categoria e a classificação de bom.
CAPÍTULO IV
Disposições Finais e Transitórias
Artigo 8.º
Regime especial de recrutamento
- 1. O recrutamento para a categoria de inspector superior de 2.ª classe poder-se-á também fazer de entre os inspectores especialistas principais que possuam os seguintes requisitos:
- a) tenham pelo menos cinco anos de efectivo serviço inspectivo e a classificação de muito bom;
- b) possuam o bacharelato na área académica indicada no aviso de abertura do concurso;
- c) obtenham aprovação no concurso de pré-selecção.
- 2. O recrutamento para a categoria de inspector de 3.ª classe poder-se-á também fazer de entre os sub-inspectores principais de 1.ª classe que reúnam os seguintes requisitos:
- a) tenham pelo menos cinco anos de efectivo serviço inspectivo e a classificação de muito bom;
- b) possuam o curso médio, pré-universitário ou equivalente;
- c) obtenham aprovação no concurso de pré-selecção.
- 3. Aos inspectores superiores de 2.ª classe e aos inspectores de 3.ª classe que hajam transitado para aquelas categorias nos termos do disposto nos n.º 1 e 2 deste artigo é vedada a promoção para além das categorias de inspector superior principal e inspector de 1.ª classe, enquanto não reunirem os requisitos para o acesso nas demais categorias das respectivas carreiras.
Artigo 9.º
Transição de pessoal
- 1. O actual pessoal inspectivo dos Serviços de Inspecção, Fiscalização e Controlo da Administração do Estado transita para as novas categorias e grupos correspondentes previstos neste diploma, com a subida de um grau na escala geral de reconversão de carreiras, de harmonia com a seguinte tabela de equivalências:
- A. Grupo técnico superior:
- a) assessor principal para inspector assessor principal;
- b) primeiro assessor para inspector assessor principal;
- c) assessor para inspector primeiro assessor;
- d) técnico superior principal para inspector assessor;
- e) técnico superior de 1.ª classe para inspector superior principal;
- f) técnico superior de 2.ª classe para inspector superior de 1.ª classe.
- B. Grupo técnico:
- a) técnico especialista principal para inspector especialista principal;
- b) técnico especialista de 1.ª classe para inspector especialista principal;
- c) técnico especialista de 2.ª classe para inspector especialista de 1.ª classe;
- d) técnico de 1.ª classe para inspector de classe;
- e) técnico de 2.ª classe para inspector de 1.ª classe;
- f) técnico de 3.ª classe para inspector de 2.ª classe.
- C. Grupo técnico médio:
- a) técnico médio principal de 1.ª classe para sub-inspector principal de 1.ª classe;
- b) técnico médio principal de 2.ª classe para sub-inspector principal de classe;
- c) técnico médio principal de 3.ª classe para sub-inspector principal de 2.ª classe;
- d) técnico médio de 1.ª classe para sub-inspector de 1.ª classe;
- e) técnico médio de 2.ª classe para sub-inspector de 1.ª classe;
- f) técnico médio de 3.ª classe para sub-inspector de 2.ª classe.
- 2. Os actuais inspectores gerais ou equivalentes dos Serviços de Inspecção, Fiscalização e Controlo da Administração do Estado transitam para a categoria técnica de inspector assessor principal.
Artigo 10.º
Legislação em vigor
O disposto no presente diploma não prejudica a aplicação da legislação em vigor, tendo em conta o carácter e natureza específicos de cada serviço de inspecção, fiscalização e controlo.
Artigo 11.º
Regime remuneratório
O regime remuneratório será objecto de diploma próprio a aprovar por decreto do Conselho de Ministros.
Artigo 12.º
Dúvidas e omissões
As dúvidas e omissões resultantes da interpretação e aplicação do presente decreto serão resolvidas por despacho conjunto dos Ministros da Administração Pública, Emprego e Segurança Social e das Finanças, ouvido o inspector geral da Administração do Estado.
Artigo 13.º
Revogação de legislação
É revogada toda a legislação que contrarie o disposto no presente decreto.
Artigo 14.º
Entrada em vigor
Este diploma entra em vigor na data da sua publicação.
Visto e aprovado em Conselho de Ministros, em Luanda, aos 23 de Fevereiro de 2001.
Publique-se.
O Presidente da República, JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS.